Ações de Preservação Digital: o olhar de Curt Nimuendajú sobre os povos originários do Brasil

O projeto Ações de Preservação Digital nasce da necessidade urgente de resgatar e proteger a memória iconográfica deixada pelo pesquisador alemão, naturalizado brasileiro, Curt Nimuendajú (1883-1945). Considerado o “pai fundador” da Etnologia no Brasil, Nimuendajú dedicou sua vida ao estudo e à defesa das culturas indígenas, deixando um legado de registros fotográficos únicos dos indivíduos, territórios, rituais e costumes dos povos originários do Brasil.

As obras sob guarda do Museu Nacional (UFRJ) – fotografias e negativos originais – foram perdidas no trágico incêndio de 2018 do Paço de São Cristóvão, sede da instituição. No entanto, graças a uma parceria iniciada em 2016 com a Funarte, foram produzidas matrizes digitais de captura que agora permitem o “renascimento” desta coleção.

Fotografia histórica em preto e branco de corpo inteiro de uma figura usando um traje ritual máscara tamanduá completo feito de fibras longas e palha, cobrindo o rosto e o corpo, formando uma estrutura cônica alta na cabeça. A figura segura um bastão longo em uma mão e objetos cerimoniais na outra, em pé em um campo gramado.
Máscara Tamanduá usada na imposição de diversos nomes femininos. ACERVO FDCN.

O que estamos realizando?

Sob coordenação da Profª. Drª. Tania Conceição Clemente de Souza, nossa iniciativa emprega as técnicas de preservação e os recursos tecnológicos preconizados pelas autoridades do campo – IPHAN e CONARQ, para garantir que esse conhecimento não se perca e chegue à sociedade de três formas principais:

  • Reconstituição física e digital do conjunto de fotografias: A partir de 483 matrizes de captura digitais, estamos produzindo fac-símiles (fotografias impressas em Fine Art atendendo aos parâmetros de certificação museológica de fidedignidade e conservação) e gerando representantes digitais de alta fidelidade em suas matrizes de preservação e derivadas de acesso.
  • Resgate e Difusão: As novas obras serão incorporadas ao acervo do Museu Nacional através das plataformas digitais e bases de dados da instituição, o que permitirá que pesquisadores e o público em geral acessem as obras virtualmente, assim como os descendentes dessas comunidades de origem possam recuperar essas obras enquanto direito à memória.
  • A publicação “Povos originários e o olhar de Curt Nimuendajú”: Além da preservação, a obra traz uma curadoria crítica sobre as fotografias e o contexto histórico de sua produção.

Por que isso é importante?

Preservar digitalmente o olhar de Nimuendajú é mais do que um ato técnico; é uma ação de reparação e repatriação virtual da memória desses povos. Ao disponibilizar esses registros, contribuímos para o fortalecimento da representatividade dos povos originários e oferecemos ao mundo uma janela para a diversidade cultural que constitui as identidades formadoras daquilo que definimos como brasilidade.

Um tríptico fotográfico horizontal composto por três variações de cor das possibilidades de positivação de negativos digitalizados. O versão central está em preto e branco, o esquerdo a versão ciano (inverso tonal da tonalidade amarelecida do negativo) e o direito um tonalidade sépia quente, simulando o amarelecimento das fotografias em papel. Todos os painéis mostram uma jovem mulher indígena sentada no chão de ripas de madeira de uma habitação tradicional de palha. Ela veste um vestido floral e sorri para a câmera enquanto segura e apresenta uma pequena cesta trançada. Outras pessoas desfocadas e postes de madeira são visíveis no fundo rústico.
Etapas de preservação de negativo. Acervo FDCN.

Parecer CNIC do Minc

Nº Reunião: 367
Dt. Reunião: 05/02/2026
Parecer: Favorável
Enviado à Plenária? Não

Este projeto é uma verdadeira missão de “resgate digital” do legado de Curt Nimuendajú, focando na salvaguarda de 483 registros fotográficos cujos originais foram tragicamente perdidos no incêndio do Museu Nacional em 2018. A iniciativa vai além do simples armazenamento: ela recupera as matrizes digitais produzidas antes do desastre e cria fac-símiles impressos com certificação museológica. Na prática, o projeto devolve a existência física ao acervo, garantindo que o olhar de Nimuendajú sobre os povos originários permaneça preservado para as futuras gerações, agora protegido contra as vulnerabilidades do tempo e do espaço.

Para democratizar esse patrimônio, o plano prevê a criação de uma plataforma virtual de livre acesso, voltada tanto para o público cultural quanto para a pesquisa científica. Além do ambiente digital, o projeto inclui a publicação do livro “Povos Originários e o Olhar de Curt Nimuendajú” e a realização de um seminário sobre políticas de memória e preservação de patrimônio. Essas ações transformam a perda material em uma oportunidade de difusão ampla, conectando a comunidade acadêmica e a sociedade em geral ao debate urgente sobre a proteção da nossa memória histórica e etnográfica.

O projeto está em conformidade com as exigências da Lei nº 8.313/91, do Decreto nº 11.453/2023 e da Instrução Normativa nº 23, de 05 de fevereiro de 2025, e atende aos critérios de contrapartida social, de acessibilidade e de democratização do acesso.

O orçamento é compatível com os objetivos do projeto, e os custos apresentados estão alinhados aos valores de mercado da região. Não foram identificadas inconsistências que justifiquem glosa.

O proponente e sua equipe técnica demonstram aptidão para executar o projeto.

Diante do exposto e em concordância com as análises do parecerista e da unidade vinculada, concluo que o projeto atende aos requisitos legais e normativos para aprovação.

Nossas metas

Ao promover ações de preservação digital do acervo fotográfico de Curt Nimuendajú (1883-1945), processo iniciado em 2016, antes do incêndio do Museu Nacional, investimos no alcance de algumas metas:

  • Produção e salvaguarda dos 483 Representantes Digitais das obras físicas destruídas no incêndio de 2018 e preservadas em matrizes de captura produzidas em cooperação entre o Museu Nacional e a Funarte;
  • Produção de fac-símiles impressos com certificação museológica;
  • Estruturar a Coleção Fotográfica Curt Nimuendajú do Museu Nacional UFRJ através de catalogação e difusão em plataforma web, com livre acesso para fins de preservação cultural e de pesquisa científica.
  • Organização de livro com seleção curatorial e pesquisa sobre a contextualização histórica da produção e atuação do pesquisador alemão, naturalizado brasileiro, Curt Nimuendajú.

Preservação de acervo cultural

Nossa missão consiste em reconstituir o acervo com o estabelecimento de políticas arquivísticas, visando, com as normas técnicas preconizadas pelo IPHAN e CONARQ, recuperar a organicidade original da coleção, além da armazenagem e salvaguarda, a partir de impressão Fine Art dos Representantes Digitais em imagens de alta fidelidade tonal, com tintas à base de pigmentos minerais e em papéis de alta performance para a preservação de longo prazo.

Objetivos específicos

Catalogar os Representantes Digitais seguindo parâmetros técnicos exigidos para incorporação a plataformas web com acesso público e gratuito para a manutenção de políticas de preservação digital.

Difundir o acervo para fins de preservação cultural e acadêmica, oferecendo contextualização histórica e geográfica da produção etnográfica de Curt Nimuendajú.

Produzir conhecimento sobre a abrangência do percurso etnológico do autor e sua importância para a preservação da memória dos povos originários e a formulação de políticas indigenistas.

Organizar eventos acadêmicos para a divulgação e discussão da importância da obra de Curt Nimuendajú e das ações de preservação digital do patrimônio cultural, com participação de especialistas. Bem como a transmissão dos encontros em vídeos, com recursos de acessibilidade e disponíveis para acesso público.

Equipe


Proponente
TANIA CLEMENTE DE SOUZA

Coordenação Geral
EDNEY CLEMENTE DE SOUZA

Técnica de Audiovisual
ALINE RAPOSO DA SILVA

Comunicação e Divulgação Acessíveis
FABRICA13 CULTURA E MEMÓRIA

Assistente de Produção
BEATRIZ DE ARAUJO TORTURELLI

Assessoria Jurídica
BRUNO PEREGRINO

Assessoria Contábil
ESCRITORIO VERO CONTABILIDADE